Dono de uma porrada de renomados restaurantes de sotaque italiano nos Estados Unidos, Mario Batali virou livro. Em Calor, do jornalista e escritor americano Bill Buford, a singular personalidade de Batali é jogada à luz. De quebra, mergulhamos também na vida de outros tantos caras do mundo das panelas, como o malucaço Dario Cecchini, que vive na Toscana e é considerado o melhor açougueiro do planeta. Mas f*dão aqui é mesmo Buford! O cara já havia passado quatro anos no meio de hooligans para escrever Entre os Vândalos. E passou uma temporada em meio a panelas, fogo e facas para escrever Calor. Depois do livro, você vai sacar que talvez fosse mais fácil ele ter estado outros quatro anos entre os hooligans.
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07/12/2007
14/11/2007
3. A Alma de um Chef (livro)
Como saber que se tem em mãos um grande livro? Ler Michael Ruhlman é um caminho. Escritor, jornalista e cozinheiro, ele juntou suas três personalidades para escrever A Alma de um Chef - Viagem para a Perfeição. O livro, dividido em três partes, poderia se chamar O Bom, o Mau e o Feio.
Na primeira parte, Ruhlman narra a trajetória de sete cozinheiros em busca do Certificado de Master Chef (CMC) do Instituto Americano de Culinária (CIA). Por dez dias, profissionais experientes são colocados à prova – e você não tem idéia do que é colocar à prova um chef, cara habituado a jornadas que facilmente chegam a 16 horas, sempre sob pressão, em ambientes apertados e quentes. De cada sete candidatos ao CMC, apenas dois passam. Chame essa primeira parte de thriller. Ou de O Feio – um lugar em que saber fatiar terrina significa tudo.
Na segunda parte, ele conta a história do Lola Bistrô, de Cleveland (Estados Unidos). À frente do restaurante está Michael Symon, que, eleito pela revista Food & Wine um dos dez melhores novos chefs dos Estados Unidos, virou celebridade. Enquanto a faixa de preço dos concorrentes de Symon estava entre 45 e 70 dólares/pessoa, ele fazia pratos que não passavam de 20 dólares, com média de gasto de 30 dólares/pessoa (o cara é de Cleveland!). Parte 2, ou O Bom.
Na parte 3, o autor mergulha no The French Laundry *vídeo*, de Thomas Keller (ranqueado pela revista Restaurant o quarto melhor do planeta em 2006). Autodidata, perfeccionista, messiânico, Keller já havia trabalhado em grandes cozinhas, teve certa fama e caiu. Para abrir The French Laundry, em 1994, precisou convencer 48 investidores. Tinha 41 anos e levou três temporadas para fazer algum dinheiro. Bem, “fazer algum dinheiro é um certo exagero”. No fim de 1996, sua casa lucrou 17 dólares (35 centavos de dólar por acionista). Mas a partir daí, sucesso. Keller, em ação, é exigente, pra dizer o mínimo. Chame esse trecho de O Mau.
Ruhlman encerra o livro da melhor maneira: com receitas. Tiradas dos personagens retratados no livro. É diversão completa. E de primeira.
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Publicado na revista VIP (outubro/2007)
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