21/05/2008

45. Viu Manent (vinhos)

Terça à noite, duas opções de programa: secar aquele timinho da marginal Tietê pela Copa do Brasil ou secar umas taças na degustação de 14 vinhos de uma vinícola chilena no Cantaloup. Bem, não foi difícil escolher. E quando saí da degustação, à 1h da madrugada, ainda soube que o timinho tinha perdido. Viver bem realmente é a melhor vingança.
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Viu Manent é uma vinícola diferenciada, apesar daquele começo comum a muitas outras casas chilenas que hoje têm grande ou médio porte. Nasceu engarrafando uva de terceiros, passou a produzir vinhos de mesa (nada saudosos, época em que a marca ficou conhecida em todo o Chile pelo slogan "!Salud, com vinos Viu!") e embarcou, na virada dos 80 para os 90, na onda da mudança que varreu produtores do país. "No começo, foi uma aposta tecnológica, que logo virou uma aposta filosófica", diz o diretor-gerente da Viu Manent, Jose Miguel Viu, que esteve em São Paulo para a degustação.
A frase de Jose Miguel diz muito. As vinícolas chilenas que perceberam ser necessário mudar (para melhor) ou morrer investiram, invariavelmente, em tecnologia. Isso elevou a qualidade do vinho, mas muitas vezes direcionou a produção às necessidades de mercado -- leia-se produzir bons vinhos, sim, mas sempre atrás de atender o freguês, limitando o risco, a ousadia, a surpresa, o portfólio.
Na Viu Manent, a produção anual é baixa, bate 160 mil caixas, em contrapartida o portfólio é extenso para o porte da empresa: 22 rótulos. Um pouco menos de 8% do total produzido é vendido no Brasil pela importadora Hannover há oito anos. Somos o quinto maior mercado da Viu Manent. O maior é o americano. O mais importante, o europeu. Os mais pulsantes, hoje, China e Coréia.
Quando Jose Miguel fala de aposta filosófica ele quer, em sua casa, o risco. Ou, como explicou seu enólogo-chefe, Juan Pablo Lecaros, "sempre buscamos a qualidade, claro, só que o que mais buscamos não são apenas grandes vinhos, mas vinhos diferentes". Encontrar gente assim já vale como lição de vida profissional.
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Resumo
Foram 4 brancos, 10 tintos e 1 de sobremesa. Na mesa em que estava, uma constatação quase unânime: eles são muito bons nos tintos, nem tanto nos brancos. Eu gostei mais de 4 dos 10 tintos (40%) e de 1 dos 4 brancos (10%). Nos tintos, ficaria com os que têm na base cabernet sauvignon (o Reserva) e, sem dúvida, com os dois da linha Single Vineyard degustados (um cabernet e um malbec), além do premium Viu 1. O branco que levaria é o Viognier.

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BRANCOS
1. Sauvignon Blanc Reserva 2007
Ligeiro e alcoólico (13º), 100% sauvignon blanc. Vinho do Valle Leyda, que recebe mais influência marinha e deixa este branco mineral. Vai melhor com pratos leves, sem molhos inventivos ou sabores marcados. ST 6.0/10.0
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2. Sauvignon Blanc Secreto 2007
Na Viu Manent, a linha Secreto traz obrigatoriamente 15% dos vinhos feitos com uvas que eles mantêm em segredo. Gosto desse tipo de brincadeira. Aqui, 85% sauvignon blanc + 15%... segredo (13,6º de álcool). De vinhedos do Valle Casablanca, mas menos mineral que o Reserva, e de menor acidez. Para petiscos despretensiosos ou frutos do mar, vale até para acompanhar frutas. ST 6.0/10.0
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3. Viognier Secreto 2007
Vamos lá: 85% viognier + 15% de uvas desconhecidas. Acidez sob controle, muita fruta (lima, abacaxi), mas sem ser 'doce', ele também mostra bem mais taninos. Tem mais presença em boca que os dois primeiros e bem mais álcool: 14,7º. Um prato agridoce é sua companhia ideal. ST 7.0/10.0
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4. Chardonnay Reserva 2007
Talvez entre nesta avaliação, claro, minha preferência: sou mais chardonnay (que, normalmente, tem mais corpo, mais presença) que sauvignon blanc (mais frescos e suaves). Este 100% chardonnay é um vinho de mais corpo, até por sua passagem de 7 meses por madeira (1/3 barricas novas), com 14,7% de álcool. De vinhedos do Valle Casablanca, mas de uma área não tão próxima do Oceano, o que torna o vinho menos mineral, com mais fruta e menos acidez. Depois de 10 minutos da primeira prova, o vinho preencheu mais, cresceu. ST 7.0/10.0
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TINTOS
Linha Reserva. Todos chegarão ao mercado entre 90 e 120 dias -- fim de agosto e começo de outubro. Na Viu Manent, essa linha traz vinhos 100% varietais (uma cepa apenas) com passagem de 10 a 14 meses por barricas (40% novas, 85% a 90% delas de carvalho francês).
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1. Merlot Reserva 2006
Como diz Lecaros, o enólogo da vinícola chilena, merlot é uva manhosa no preparo. Qualquer deslize, ou oscilação natural, e pornto: o vinho está mais doce, muito tânico, com pouca acidez, ou zero persitência. Não é o caso deste, que tem muita fruta vermelha, corpo médio, taninos suaves e permanência média na boca. (Álcool: 14,7%, 14 meses de barrica). ST 6.0/10.0
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2. Carmenere Reserva 2006
Carmenere é aquela uva da qual quem provou uma vez sempre se lembrará. Aroma e sabor característicos. Dificilmente os produtores tentarão trair seus adeptos. E aqui isso é pecado. Um vinho correto. (Álcool: 14,6%, 11 meses de barrica). ST 5.5/10.0
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3. Malbec Reserva 2006
Existe uma fixação da Viu Manent com a uva malbec. Ela é base do premium da casa (o Viu 1, veja abaixo) e motivo da incursão deles à Argentina -- a vinícola comprou vinhedos em Mendonza para trabalhar com a uva. No Chile, de onde sai este Reserva, parte dos vinhedos mais tradicionais da grife são de malbec. E deles sai um vinho de baixos taninos e muita fruta, mas tudo sob controle, de muito bom gosto. (Álcool: 14,4%, 14 meses de barrica). ST 6.0/10.0
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4. Cabernet Sauvignon Reserva 2005
Muita gente andou de pirraça com a cabernet. Na base dos melhores bordeaux, no novo mundo ela explodiu em rótulos varietais de muito corpo e muita fruta, o que causou certa decepção aos puristas. Esqueçam generalizações. Há cabernets e cabernets. E os chilneos sabem o que fazem quando mexem com esta uva. Melhor Reserva da noite. Tanino, fruta e corpo na medida ideal. (Álcool: 14,1%, 14 meses de barrica). ST 7.5/10.0
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Linha Secreto. Nesta linha, a Viu Manent adota princípios de qualidade de um reserva, mas com toques de modernidade. Passam menos tempo em barricas (de 7 a 9 meses, 90% barricas novas) e têm 85% da uva que vai no rótulo, o outros 15% podem ser de várias cepas, até de uvas brancas.
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5. Carmenere Secreto 2006
Bordô intenso, tem mais fruta e menos nariz que o Reserva. Numa segunda boca, sai um pouco da fruta e ele fica mais complexo. (Álcool: 14,8%, 7 meses de barrica). ST 6.0/10.0
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6. Malbec Secreto 2006
Novamente a comparação com o Reserva mostra um vinho mais fácil de digerir, menos intenso que o Reserva Malbec. (Álcool: 14,4%, 7 meses de barrica). ST 6.0/10.0
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7. Syrah Secreto 2006
Tem fruta presente, mas não marcada. É um rótulo de vinhedos jovens -- 9 anos, em média (segundo o enólogo), ou 7 anos, em média (segundo o site). Para quem busca um syrah diferenciado, não tão australiano (marcado). Da linha Secreto, foi o de que mais gostei. (Álcool: 14,6%, 7 meses de barrica). ST 6.5/10.0
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Linha Single Vineyard. Nesta linha, os vinhos ficam de 11 a 14 meses em barricas, 80% a 90% delas novas. São feitas colheitas manuais em parcelas bem restritas de vinhedos específicos. Rendem vinhos que agüentam guarda superior a cinco anos.
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8. Cabernet Sauvignon Single Vineyard 2005
Imediatamente se nota que não se trata de um cabernet comum -- o que remete à promessa do enólogo Lecaros ("mais que grandes vinhos, buscamos vinhos diferentes"). As uvas vêm do Valle Colchagua, de uma pequena região chamada La Capilla, dos lotes 1, 2 e 3. A baixíssima densidade já antecipa que pode vir dali um grande vinho. E vem. Com 87% cabernet e 13% malbec, tem ótima permanência, preenche toda a boca. Vinho para pratos untuosos, se preciso. E que promete crescer ainda muito em garrafa. A melhor das safras desta linha cabernet é a 2004. Provamos a 2005, que estava maravilhosa. (Álcool: 14,3%, 14 meses de barrica). ST 8.0/10.0
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9. Malbec Single Vineyard 2006
Este vem da região chamada San Carlos, de duas pequenas áreas cultivadas com baixa densidade. Também mostrou potencial de crescimento. Nesta safra, 93% malbec e 7% cabernet. (Álcool: 14,7%, 12 meses de barrica). ST 7.0/10.0
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Linha Viu 1 (Uno). É o premium da Viu Manent. A idéia era fazer o vinho top da casa em safras muitíssimos especiais. O primeiro é de 1999. Depois vieram 2001, 2003, 2004, 2005 e 2006. Produção limitada (perto de 11 mil garrafas/ano, com exceção da safra 2005, que não chegou a 5 mil garrafas), eles passam de 18 a 24 meses em barricas. Em 2003 e 2004 foi eleito o segundo melhor premium chileno. Inicialmente, deveria existir o Viu 2, o Viu 3, assim como a composição variaria ano a ano. Isso não fosse a fixação, já falada neste post, da vinícola pela malbec. O nome tornou-se Viu 1 para todas as safras e a malbec carrega o vinho -- a composição varia entre 88% e 98% de malbec e o restante cabernet sauvignon.
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10. Viu 1 2006
São 11,3 mil garrafas, 20 meses de barrica, 94% malbec e um vinho ótimo, que tem muito ainda a crescer. (Álcool, 14,8%) Compre e guarde. Compre e sirva. Decante sempre. O produtor diz que agüenta fácil até 2016. Vale apostar, pois me pareceu que ele ficará ainda melhor daqui um tempo. ST 8.0/10.0
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Encerramos a noite com um late harvest Semillon que passa 7 meses em barrica e tem 11,5% de álcool. Foi perfeito com terrine de foie gras na entrada, mais do que com o doce da saída.

18/05/2008

44. Espaço Tambiú

Despretensiosa. Essa palavra resume a casa. E isso é elogio. Amigo bom de faro, de garfo e de copo, André Nigri indicou. Fui com signora P no sábado, 17. Pedimos de entrada costela de pacu com pimenta e caldinho de peixe. Depois, ela foi de mugica de pintado (cubos de posta de peixe com moqueca, mandioca e cebola) e eu de bracciola de pintado (com cogumelos, brócolis, castanha e damasco). O chef Pingo é de Corumbá (MT) e elabora pratos com a pegada de sua cidade, é orgulhoso de suas raízes. O dono é de São Paulo mesmo, e vai duplicar o horário de atendimento da casa (hoje, 5 períodos: jantares de quarta a sexta e almoço aos sábados e domingos; passará a 10 períodos: jantares de terça a sexta e almoços de terça a domingo). Tem peixe frito a partir de 20 reais e vinho a partir de 21 reais. Único senão: a despeito do maravilhoso pirão e do maravilhoso arroz com castanhas, menos molho deixaria aparecer mais o sabor dos peixes.
* Espaço Tambiú. Rua Diana, 381, tel. 3801.2793.

43. Cadê o Frango?

Sei lá quanto tempo atrás, mas não muito, o Pirajá -- tradicional bar de um tradicional grupo de donos de bares e pizzarias em São Paulo -- passou a abrir para almoço. Opção excelente para quem tá pros lados de Pinheiros. Já fui lá quatro vezes, nas quatros atrás do Frango de Leite. Achei uma só. Então nem vou avaliar os demais pratos -- todos mais ou menos. Mas pô!, não se oferece um Franguinho que você não tem condições de manter no cardápio para 75% das visitas.

42. Acarajé na Rota

Anote: "a" Santa Cecília vai ser "o" lugar. Bairro dos mais tradicionais da cidade, encostado em Higienópolis, tem algo que este seu vizinho não tem: autenticidade. Estar em Higienópolis é como estar em um laboratório: você sabe que é limpo (ok, esqueça os cocôs de cachorro), você sabe que é seguro e você sabe que é chato e não vê a hora de sair de lá. Bem, Santa Cecília é o vizinho pobre, de menos glamour, mas com muito mais vida. Dois quarteirões ajudam a resumir a nova Santa Cecília. O quadrilátero entre Jaguaribe, Martim Francisco, Imaculada Conceição e Barão de Tatuí. São 5 endereços que valem sua avaliação.
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1. Bacalhoaria Chiappetta
Chiappetta é sinônimo de tradição em alimentos em São Paulo. Coisa daquela italianada que tomou conta da Zona Cerealista do Brás, no começo do século passado, e de qual parte migrou para o Mercadão Municipal -- aliás, nunca diga "Mercado Público", que é coisa de gaúcho, não de paulista. É legal saber que a família investiu num casarão tradicional para fazer este restaurante, mas a cozinha é menor que o nome e o bacalhau é no máximo correto -- o que não é pouco. Por isso vale a visita, assim como vale ver o jogo de um time de tradição mesmo sem que ele esteja no melhor de sua fase.
* R. Martim Francisco, 427, tel. 3826.3033. Terça a sábado (10h às 22h); domingo (10h às 17h). Fecha segunda.
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2. Le Tire Bouchon
É único. Isso significa que poucos cantos em São Paulo se parecem com o Le Tire Bouchon, o que já é mérito e tanto. O dono é francês e a oferta de vinhos da loja demonstra o patriotismo. Aberto em novembro de 2005 como casa de vinhos, a loja ganhou bar à vin e um minúsculo (e lindo) restaurante no subsolo. O único inconveniente é a escada. Para descer, tudo bem, mas depois do jantar você vai pensar que deveria ter bebido uma ou duas taças a menos. Esqueça isso e vá. No bar à vin, você pode pedir umas bruschettas ou polenta com gorgonzola e cogumelos e ficar num dos vinhos da loja -- não está a fim de vinho?, beleza, peça cerveja. Mas não deixe de ir um dia para jantar. Peça sem medo o menu da noite, escolha uma garrafa da loja e saia de lá decidido de que Santa Cecília é o melhor bairro da cidade.
* R. Barão de Tatuí, 285, tel. 3822.0515.
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3. Club da Cana
Cachaçaria de primeira. Se você quer impressionar, ver ou ser visto, paquerar, não sei qual cachaçaria indicar. Mas se você quer cachaça, é esta. Centenas e centenas de rótulos. Ali você pode pedir petiscos, pedir um prato, pedir garrafa, pedir várias para degustar. Pode pedir água ou cerveja. Não importa sua pedida, sairá de lá mais entendedor de cachaça do que entrou.
* R. Barão de Tatuí, 271, tel. 3663.1171. De terça a sbaádo, até o último cliente. Domingo, até 22h. Fecha segunda.
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4. Fuad, ou Esquina Grill
Tradicionalíssimo, existe desde 1966. Cerveja e petiscos. Ou para matar a fome na madrugada -- tem um dos melhores picadinhos de São Paulo. Vá de turma, é a cara dali. Cadeira de plástico, mesa de lata, alguns pedintes na calçada. Para equilibrar o jogo, garçons ligadíssimos e aquele picadinho que paga/apaga tudo.
* R. Martim Francisco, esquina com Imaculada Conceição. Abre todo dia, fecha tarde pra caraca.
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5. Rota do Acarajé
Por fim, o motivo que me levou ao post. Este lugar a cada dia se transforma no endereço dos moderninhos e descolados (ainda se usam essas expressões?). A pegada é o acarajé. Vem sequinho, o que entendo como mérito, e o bar tem ainda outras opções "baianas" ou "nordestinas". Vou ser sincero, acarajé para mim exige o talento culinário de um fritador de pastel: ficou seco, ok. Por isso, prefiro outras porções e as cervejas. Apareça e diga que conheceu ali antes dos 'culegas' da firma. Quer motivo mais nobre? Marque o próximo encontro na Rota e passe horas mais que agradáveis com amigos de verdade.
* R. Martim Francisco, 529/533, tel. 3668.6222. Terça a sábado até 23h30 e domingo até 22h. Fecha segunda.

31/01/2008

41. Agadir (rest)

Fazia certo tempo que não ia ao Agadir. Noite de quarta, Palmeiras derrotado em Piracicaba, saímos eu e Signora P à procura de um lugar para jantar. Ela lembrou-se do Agadir (rua Fradique Coutinho, 950, Vila Madalena, tel. 3097.0147). Sugestão que acatei na hora. Adoro o lugar, adoro a comida marroquina. Sempre que vamos ao Agadir o restaurante está vazio ou quase. O que me estranha, porque a comida de lá é deliciosa. São poucos pratos -- cuscuz, tajine, pastilla --, mas você pode escolher às escuras que vai gostar.
Ambiente. Luz baixa, tecido com as cores da bandeira marroquina no teto, luminárias, louças e copos típicos, aquele cheiro característico de especiarias. Fica numa daquelas casas de fundo comuns da Vila Madalena, umas que têm um comprido corredor -- como o Santa Gula. Você entra ali e a sensação é de viajar no espaço (pro Marrocos, claro) e no tempo (que parece andar mais lentamente).
Atendimento. Um garçom marroquino dá conta do serviço. Ele e seu português de sotaque carregado.
Cozinha. Bem, sou fã. E lá vem como se deve. De entrada, pedimos o couvert, com pasta de espinafre cozido temperado com limão siciliano, azeitonas e azeite; pasta de berinjela; e pasta de lentilha. Vêm acompanhadas de pão marroquino (mais conhecido aqui por pão sírio). No prato principal, fomos de cuscuz (com carne de carneiro). Seco e solto na medida, acompanhado de legumes 'al dente' e de uma cumbuquinha com caldo de legumes para você ir 'molhando' o cuscuz. A carne com ameixas e amêndoas estava macia e saborosa, sem nacos de nervos. Na sobremesa, laranja fatiada com canela e perfume de rosas. Simples e deliciosa. Fechamos com chá. Saímos de lá do jeito que tem de ser quando se come num restaurante de culinária de outro país: com vontade de viajar ao Marrocos, de aprender um pouco de árabe, de tentar fazer em casa, de encontrar aqueles condimentos surpreendentes. Saímos já querendo voltar.

23/01/2008

40. Copo d'água

Metade cheio ou metade vazio? Para o pessimista, um copo com água até a metade está metade vazio. Para o otimista, metade cheio. Quem me passa os números é o chef Zé Maria Meira. Nos Estados Unidos, 9 em cada 10 adultos comem fora regularmente. Na Europa são 6. No Brasil, 2. O mercado vai crescer no Brasil ou aqui não tem jeito mesmo? Eu sou um otimista. Mais pessoas vão comer fora. Mais pessoas vão comer bem. Mais pessoas vão comer. Esta é a nossa sina: ficarmos melhores.

19/01/2008

39. Rei do Falafel (e das chawarmas)

Cada vez maior, a comunidade muçulmana ali do Pari e do Brás, em São Paulo, tem feito aparecer uma leva de casas de cozinha árabe. Sempre fui fã dessa culinária. Neste sábado (19.1.2008), Signora P me levou ao MaxiFour, o espetacular mercado de produtos árabes de São Paulo. Fica ali no Brás. Ao lado, no número 102 da rua Júlio Ribeiro (tel. 6292.0357), está o Rei do Falafel. Foi nosso endereço para o almoço. O lugar não deve ter mais de 3 metros de largura, algumas mesas, outro tanto de bancos junto ao balcão e um atendimento à beira do heróico quando lota. Mas vale cada minuto. Devoramos chawarmas (finas fatias de pão sírio enroladas e recheadas). De carne, frango e falafel (com grão-de-bico, tomate, especiarias...). A carne é retirada daquelas máquinas giratórias que no Centro da cidade a gente chama de churrasco grego. Também pedi chawarma de linguiça libanesa. Tudo estava sensacional. Delicioso. Comida com gosto único. Queria provar o miolo à moda síria, não tinha mais. Cada chawarma custa 6 reais. A cerveja não vem tão gelada, então é melhor pedir chá mate para fazer companhia. Com pouca grana você comerá como um nobre árabe, ou um beduíno faminto, depende de quem contar a versão. 1) Repito: trata-se quase de um pé-sujo. 2) Insisto: não deixe de ir.

38. Cordel (rest)

Ninguém mais se ilude que a paulistana Vila encareceu, requintou-se. Tem um bar autêntico aqui e outro ali, um restaurantezinho sem pretensão e tal, mas na média as casas têm surgido com um "kit conceito". O Cordel (rua Aspicuelta, 471, tel. 3375.0471) faz parte dessa leva -- e isso não é notícia ruim. Significa que a mais democrática das noites de São Paulo continua a mais democrática. A casa de sotaque pernambucano nasceu tem pouco mais de mês e oferece uma cozinha nordestina contemporânea. Entendeu? Não espere um pé-de-areia. Isso colocado, ele vai agradá-lo. E muito. Fomos eu e Signora P. Pedimos, de entrada, uma cebola assada com carne seca desfiada e queijo coalho (14 reais). Depois, pratos de peixe (27 e 25 reais). O dela com arroz de coco e crosta de amêndoa; o meu com purê de banana da terra e molho de espinafre. Estavam deliciosos. Tomamos cerveja -- a carta de vinhos é restrita e, se você optar por um, vai perder a chance de degustar a seleção de pimentas. De sobremesa, ela ficou no bolo de rolo com sorvete de nata e eu ataquei uma espécie de porção de massa doce na cachaça com sorvete de coco. O ambiente é mais para formal (piso frio, madeira&pedra, luz baixa), assim como o atendimento. Tranqüilize-se: nem um nem outro são exagerados. Voltaremos, em especial pelo peixe (delicioso e de bom preço).

15/01/2008

37. Sabiá

Uma aposta: vai estourar. Na segunda (14), estive lá com Signora P. Devoramos um caprichado (e barato) Tutu à Paulista. Lugar para comer bem, no almoço, e beber bem, à noite. Ali na Purpurina com Fidalga.

11/01/2008

36. Vejinha vs Secondo Tucci

Sim, você conhece a lista da Vejinha, O Melhor da Cidade. Segue minha lista para comparar:
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Melhor Boteco
Vejinha (Elídio) x Secondo Tucci (Valadares)
"São ambos sensacionais, mas o Valadares ganha por um copo de vantagem. Até porque esse copo vem sempre gelado a cada cerveja esvaziada"
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Carta de Cervejas
Vejinha (Frangó) x Secondo Tucci (Frangó)
"Este dificilmente será batido nessa categoria"
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Chope
Vejinha (Original) x Secondo Tucci (Léo)
"É difícil ir ao Léo se você não trabalha no Centro. Fecha cedo, sempre tem trânsito... Mas eu vou. E nunca me arrependo. O melhor chope da cidade"
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Cozinha
Vejinha (Astor) x Secondo Tucci (Platibanda)
"Croquetes sequinhos, pastéis saborosos, pratos caprichados. É uma cozinha demorada, e menos pretensiosa que a do Astor (uma grande cozinha), mas ganha na autenticidade"
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Fim de Noite
Vejinha (Genial) x Secondo Tucci (Filial)
"Filial, sem dúvida. Chegue lá à 1h da manhã. Tem espera! Como pode ganhar no item 'Fim de Noite' um bar que nem sempre fecha tão tarde? E depois do Filial eu colocaria o Piratininga".
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Happy Hour
Vejinha (Salve Jorge/Centro) x Secondo Tucci (Salve Jorge/Vila Madalena)
"Porque não existe nada mais chato que happy hour com hora para terminar (por mais que seja 'apenas' às 23h...) No Centro, termina. Na Vila, continua -- lá ou em outro endereço"
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Bar de Hotel
Vejinha (Skye) x Secondo Tucci (Skye)
"Mas reze para não esperar até 90 minutos na fila do elevador caso não esteja hospedado. Se for o caso, corra ao The View, na Alameda Santos"
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Música ao Vivo
Vejinha (Baretto) x Secondo Tucci (Piratininga)
"Música bacana sem dispensar certa descontração"
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Ir a Dois
Vejinha (Salommão) x Secondo Tucci (Baretto)
"Porque impressiona, é estiloso mesmo"
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Paquerar
Vejinha (Bellini) x Secondo Tucci (All Black)
"Ei, você sabe como é o clima num pub, não? Então, nada supera um pub nessas horas"
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Barman
Vejinha (Souza, do Veloso) x Secondo Tucci (Souza, do Veloso)
"Talvez você não entenda a explicação, mas a caipirinha tá sempre igual, e quase sempre surpreendente"

35. Petiscos, meus 10 mais... São Paulo

Petiscos
10. Fogazza do "Amigo Giannotti" (Bela Vista)
9. Rãs do "Valadares" (da Faustolo, na Lapa)
8. Canapé de linguiça crua do "Platibanda" (Vila Madalena)
7. Sardinha Croque-Croque do "Elídio" (Mooca)
6. Empanadas do "Empanadas" (Vila Madalena)
5. Pastéis + Caldinho de feijão do "Filial" (Vila Madalena)
4. Coxinha de frango com Catupiry do "Frangó" (Freguesia)
3. Sanduíche Polaco (rosbife, queijo e cebola) do "Bar Léo" (Centro)
2. Sanduíche Alemão Maluco (kassler e chucrute) do "Amigo Leal" (Centro)
1. Pastel Garoupa (atum, camarão, palmito e azeitona) do "Bar Garoupa" (Santo André)

Pratos
3. Rabada com polenta e agrião do "Platibanda".
2. Prato de mãe (arroz-feijão-filé à milanesa e saladinha, que troco por vinagrete) do "Filial".
1. Picadinho do "Fuad".

06/01/2008

34. Rong He (um china)

Este é da Liberdade. Fomos eu e Signora P, sábado, véspera de Natal, que é ótimo momento para visitar um chinês -- mesmo que eles tenham colocado bolinhas vermelhas na parede, Natal para eles é como mandarim para mim. O Rong He fica na rua da Glória, 622-A (depois passo o tel) e a primeira impressão é de que se trata de um lugar limpo. Sei, sei, buscar correção higiênica em chineses pode ser exercício desnecessário, mas com certeza você fica mais à vontade para provar a porção de orelha de porco frita e a entradinha de algas. Signora P me questinou sobre os petiscos suínos, mas estranho para mim, confesso, é alga. O porco eu sei como nasce, onde vive, o que come. Já as algas... Como prato principal, pedimos massa com molho de frutos do mar, molho que parece uma sopa. O Rong He fez fama com suas massas artesanais preparadas à vista do cliente. Coisa de mamma italiana (na verdade, coisa de mamma chinesa, já que desde Marco Polo sabemos quem fez o que antes). Duas delícias de saída: a sobremesa e poder pagar com cartão, coisa rara em endereços (coreanos, japoneses e chineses) da Liberdade.

33. Dô (um japa)

Escolher um japonês em São Paulo não é tarefa simples. Pense na diversidade. Em 2008, a imigração japonesa ao Brasil comemora 100 anos e o epicentro dessa massa de orientais concentrou-se em São Paulo. Aqui está a maior comunidade japonesa fora do Japão. Coreanos e chineses chegaram e engrossaram o caldo, em todos os sentidos. Conheci a Chinatown de Los Angeles, a de Nova York e a de San Francisco. Apenas esta rivaliza com a de São Paulo -- e perde. Como dizia, escolher um japonês em São Paulo não é tarefa simples. Deve existir uma oferta semelhante à de pizzarias. Vamos deixar à parte o Jun Sakamoto (de que falarei em outro post). Um dos Top 10 é o Dô. Acaba de fazer quatro anos de vida (é de novembro de 2003). Aberto por três amigos -- Osmar, Kazu e Rogério --, se fundamenta numa cozinha de extremo cuidado, bons ingredientes e atenção aos detalhes, quesitos fundamentais a um bom japonês. Um sashimi de atum lá é mais que um sashimi de atum. Um sushi especial de agulhão, um tuna pepper, um especial de ovas de salmão com gema de codorna... Cada peça parece ter sido ajeitada por um relojoeiro suíço. Como se fosse pouco, ocupa um dos endereços mais charmosos da cidade, sob um predinho de 3 andares, onde antes funcionava o restaurante I Vitelloni, em Pinheiros -- a propósito, a pizzaria, primeiro post deste blog, continua ali ao lado. São 9 mesas, 36 lugares e 8 cadeiras junto ao balcão. Ali você impressiona a namorada, impressiona na hora de um business, se impressiona. "Cent'anni!". O Dô (rua Padre Carvalho, 224, Pinheiros. Tel 3816.3958) é um que vi nascer e aonde vou com Signora P desde a abertura.

05/01/2008

32. Barca Velha

Produzido desde 1952, o talvez mais mítico de todos os portugueses só é declarado em anos excepcionais. O último rótulo foi o de 1999. Tivemos Barca Velha de 15 safras: 1952 - 1953 - 1954 - 1957 - 1964 - 1965 - 1966 - 1978 - 1981 - 1982 - 1983 - 1985 - 1991 - 1995 - 1999. Na internet, achei um do ano em que nasci (1966) por 475 euros. É meu sonho de consumo. Na sua base, uvas Tinta Roriz com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Antes, sobressaía a Tinta Roriz, mas desde a safra 1999 ela está mais equilibrada às demais uvas. De colheita manual, passa de 12 a 18 meses em barricas novas e outro tanto de anos em garrafa antes de chegar ao mercado -- as 30 mil unidades do 1999 foram vendidas somente a partir de 2006. Saiu em Portugal entre 100 e 110 euros (280 a 308 reais). No Brasil, é comercializado entre 650 e 700 reais. Em tempo: nestes 56 anos de Barca Velha, apenas dois enólogos estiveram à frente do vinho. Para provar o seu, recomenda-se abri-lo de duas a três horas antes e decantá-lo. Depois... sorria.

31. Carlinhos (rest)

Almoçamos, eu e Signora P, no Carlinhos, no Pari. O restaurante (rua Rio Bonito, 1641, Pari. Tel 3315.9474) existe há 37 anos e se autodefine como Rei da Picanha Artesanal -- até devo prová-la um dia --, mas vou lá atrás de arais, basturmás e kaftas deliciosos. Em São Paulo, onde esfiha e beirute equivalem aos hambúrgueres nos Estados Unidos, a culinária árabe está no dia-a-dia. Mesmo assim, os arais e basturmás são exceções. O primeiro é uma espécie de kafta prensada servida no pão sírio. O segundo é uma carne crua que fica uma semana curtida em sal e especiarias (a versão com ovo frito se chama basturmalá). Outra opção, se você pedir com antecedência e juntar uma turma (dá para uns 8 glutões facilmente), é o cordeiro recheado à moda armênia. Meu Deus! Corra ao Pari.

30. Churrascaria

Não freqüento. Até conheço gente que jura ter uma alta cozinha, ou excelente atendimento, mas não consigo conceber que o ato de comer seja um incessante aceitar/recusar carnes (ou o quer que seja) de todo tipo no seu prato. Gosto de sentar, pedir uma entrada, falar, comer, falar, pedir o prato principal, comer, beber... Um ritual que churrascaria inviabiliza. Signora P compactua comigo a tese.

29. La Frontera (rest)

Quem me apresentou o La Frontera foi Signora P, em julho de 2007. O restaurante já existia havia um ano (abriu em 2006), mas a sensação era de que encontrara a mão naquele instante. Isso é comum -- e costuma demorar mais que um ano. Bem, voltamos lá outras três vezes. Nas três primeiras, fiz algo que não recomendo e que não costumo fazer: pedir o mesmo prato. Mas era mais forte que eu. A paleta de leitão, que passa três horas assando vem com uma suave casquinha crocante e purê, é deliciosa. Na última visita, tentei algo muito básico, para avaliar a cozinha num prato quase operário, o galeto. Estava correto, mas muito distante da saborosa paleta. Ao La Frontera (rua Coronel José Eusébio, 105, Higienópolis. Tel 3159.1197):
Ambientação. Entrar naquele sobrado de esquina escondido atrás do cemitério da Consolação vale a visita. A decoração é acertada ao não ter forçado a caracterização "à antiga", e o ambiente à noite torna-se interessantemente equilibrado, bem descontraído com certo toque de austeridade. Percebe-se o conceito "menos é mais", o que quase nunca dá errado. Como contraste a esse clima "restaurante noir", um janelão retangular no fundo do salão descortina a cozinha. Enfim, entro lá e pareço ser transportado a um endereço paulistano dos anos 40. Uma boa escolha é a mesa junto ao janelão em diagonal, à esquerda de quem entra.
Atendimento. A casa virou sucesso, então saiba que pode encontrar espera. A brigada é gentil e atenta. Sempre gentil e quase sempre atenta.
Cozinha. Está evidente no cardápio a preocupação de atender também quem não quer carne. Explica-se: o La Frontera é da mesma dona do tradicional portenho Martin Fierro, restaurante de carnes da Vila Madalena, e queria deixar explícito que sua nova casa não era uma extensão caprichada da antiga. Acertou. Os peixes são tão cuidados quanto a massa e as carnes. Signora P, em nossa última visita, pediu tagliatelle com linguiça apimentada -- saborosíssimo. Antes, abrimos os trabalhos com a entrada de grão de bico e queijo de cabra e outra com tomates e presunto cru. Fui de galeto. Para acompanhar, o português Herdade do Peso Colheita 2003.
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Relação vinho x importadora (ótima: 11% a 20% mais caro):
Herdade do Peso Colheita 2003 (produtor Sogrape)
19% mais caro na carta (101 reais) que na importadora (85 reais em 5.1.2008)

04/01/2008

28. Água Oxigenada

Na cozinha, sempre. Água Oxigenada é um poderoso desinfetante e germicida. Use para limpar balcões, pias, tábuas de madeira, mesas...

27. Para lembrar

Café e vinho, nunca com açúcar. A não ser que você ainda não tenha feito 6 anos.

02/01/2008

26. Espanha (1)

Na Espanha, basicamente os tintos se classificam em Crianza, Reserva e Gran Reserva. Cada região adota um critério, mas em linhas gerais o que temos é:
Crianza. Mínimo de 6 meses em barricas e até dois anos em bodega, incluindo o tempo em garrafa. Assim, será um Crianza um vinho com 6 meses de madeira e 18 meses em garrafa tanto quanto outro com 12 meses em madeira e 12 meses em garrafa. Repito: sempre de acordo com cada região. Os Riojanos, por exemplo, pedem mínimo de 12 meses de madeira e só podem ir para o mercado em seu terceiro ano (safra ano 2006 + 2 anos entre madeira e garrafa = mercado apenas em 2009 ou, muito raramente, no fim de 2008). Reserva. Estes pedem necessariamente três anos na vinícola, sendo pelo menos 12 meses em madeira. Gran Reserva. O topo da cadeia. São no mínimo 24 meses em barricas e outro mínimo de 36 meses em garrafa. Assim, nunca sairá para o mercado com menos de cinco anos.
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As safras 2001, 2004 e 2005 foram classificadas "Excelentes" para os tintos de Rioja. A de 2006 receberá classificação "Muito Boa". Já as safras de Ribera del Duero receberam avaliação "Excelente" em 2001 e 2005 e "Muito Boa" em 2004.
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